Escrito por Fábio e Cris Ter, 14 de Abril de 2009 11:59
Parte VII:
Não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.
Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.
Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.
Dogging. Se fôssemos traduzir ao pé da letra, o verbo em inglês seria, em português, algo parecido com "cachorrar". Na verdade, refere-se ao ato de levar um cachorro para passear. Isso, na literalidade; na prática, o dogging é um costume sexual inglês que já se espalhou pela Europa e pelo mundo e conta com muitos adeptos no Brasil. Aqui, a prática de dogging já tem tantos seguidores, que no Orkut é possível encontrar mais de 20 comunidades referentes ao tema.
O dogging mistura exibicionismo, voyeurismo, swing e sexo livre. Consiste em realizar atos picantes que podem ou não culminar no coito. Tem gente que prefere somente sexo oral; outros, apenas masturbação, e alguns se contentam só com alguns malhos mais ousados.
A prática ocorre em parques, estacionamentos de shopping, praças públicas e em ruas específicas freqüentadas por essa tribo. A idéia é fazer sexo em público. Quanto maior a platéia, melhor. Alguns transam dentro do carro; outros, em cima do capo. Tem gente que participa e outros se contentam em apenas assistir.
Eu morria de curiosidade. Mas não sabia bem como fazer. Morria de medo de polícia, de assalto, enfim, mas foi quando descobri que uma das razões para a comunidade dogging ser relativamente articulada é justamente o fato de poderem proteger seu prazer. Alguns casais, figurinhas carimbadas nos locais de dogging, já sabem exatamente como fazer para se resguardar. Vale o pisca-alerta do carro ligado na hora certa, o farol alto pra indicar que alguém está vindo e muitas outras regras estabelecidas pela galera que curte essa prática.
Eu não sabia bem por onde começar. Será que era só pegar o carro e ir até um dos locais indicados nas comunidades do Orkut ou em sites relacionados? Mas como os outros praticantes saberiam de nós?
Nessa época, eu tinha aberto um perfil no Orkut especialmente para a Belle e o Léo. Era uma forma de conhecermos pessoas, de nos informarmos melhor sobre swing e ficar mais a par das novidades. O tal perfil fez tanto sucesso que, em pouco tempo, eu já tinha três deles lotados. Foi quando tive a idéia de usar o perfil do Orkut para conseguir realizar minha fantasia de praticar dogging. Escrevi uma mensagem geral a todos os meus amigos de lista dizendo que estava muito a fim de experimentar, mas que não sabia muito bem como fazer.
Choveram respostas, mas a que mais me atraiu foi a de um taxista que dizia ser completamente tarado por dogging e queria nos iniciar nessa prática. Ele fez uma proposta completa e tão interessante que nós não resistimos e ficamos de combinar um encontro algum dia. Mas não acertamos nada. Apesar da vontade de fazer alguma coisa eu ainda não me sentia pronta para essa aventura.
Era um domingo à noite e voltávamos do batismo do filho de um amigo. Nós fomos padrinhos, então, estávamos trajados de maneira muito decorosa, com um modelito família total, mas, sabe-se lá por que, no caminho de volta da viagem, me deu um tesão louco e eu comecei a bolinar o Léo ali no carro mesmo. Tirei o membro dele para fora e comecei a sugá-lo enquanto ele ainda dirigia. Eu sempre assistia a isso nos filmes e morria de vontade de experimentar, embora tivesse um pouco de medo de que pudesse nos causar algum tipo de acidente.
O Léo ficou em ponto de bala, cheio de tesão, e me confessou que tinha muita vontade de me ver em um carro transando com outro enquanto ele dirigia. Disse que adoraria dirigir um táxi, assistindo a uma transa minha com o motorista. Essa confissão me trouxe à memória as propostas excitantes que o motorista de táxi havia feito alguns meses antes.
O número do telefone dele estava desde então registrado na memória do meu celular. Seria a hora de colocar minhas fantasias em prática? Sim!
Ligamos para o tal motorista, sem muita expectativa de que conseguiríamos encontrá-lo naquele número ainda, apesar de que este era o contato profissional do cara, que além de taxista fazia também pequenas viagens com seu veículo. Ele ficou excitadíssimo! E disse que queria naquela noite mesmo.
Assim que chegamos a nossa cidade, deixamos o carro em um estacionamento e fomos a um shopping ali perto. Ele passou pela frente (nós já tínhamos toda a descrição do veículo e da chapa do carro) e, quando o identificamos, fizemos sinal. Ele parou. A partir daí, começamos uma prazerosa viagem que nos proporcionou deliciosas sensações pela noite adentro.
Como disse, eu estava vestida de forma completamente discreta: um vestido longo de florzinhas que cobria meu corpo todo - embora o voil da saia ao vento revelasse minhas formas naturalmente voluptuosas -, e um casaquinho discretíssimo cobria o colo, já que o vestido, apesar de comportado, era de alça, deixando à mostra meu colo bronzeado.
A primeira providência foi tirar o tal casaquinho e os sapatos. Só com isso o cara alucinou. Fiquei imaginando que a esposa dele devia ser muito sem sal, já que ele ficou tão excitado por tão pouco.
Meu marido pediu licença e começou a me beijar, lamber e a percorrer todo o meu corpo com sua mão.
O cara disse para que ficássemos à vontade, mas, o tempo todo, prestava atenção pelo retrovisor a tudo que acontecia. Tinha uma cara de safado que dava um misto de tesão e medo. A certa altura, ele começou a gemer, o que me levou a pensar que ele estava se masturbando enquanto assistia a tudo.
Eu estava sentada no colo do Léo e de costas para ele. Então, em uma das paradas dos semáforos, ele virou para trás e começou a enfiar a mão por baixo do meu vestido. Ele ia levantando o tecido e tocando a minha pele de forma excitada e febril. Quando os dedos dele tocaram a minha vagina, percebi que ele estava trêmulo. O que seria aquilo? Tesão?
O sinal abriu e ele, um tanto contrariado, tirou a mão do meio das minhas pernas. Aproximou-a do nariz e cheirou os dedos. Achei esquisito, mas ele, ao contrário, se excitou mais ainda. Falou para o meu marido:
- Você tem uma fêmea muito cheirosa. Tô ficando louco por ela!
Ele dirigia com rumo certo. Explicou que estava nos levando aos melhores lugares de dogging da cidade. Levou-nos a diversos lugares e foi dando as dicas de como saber quem era dogging e quem não era. Também dividiu os praticantes de dogging entre os éticos e os não-éticos. Disse que os éticos só se expõem para outros praticantes de dogging. Para os voyeurs. Já os não-éticos não se preocupam se estão fazendo show para um casal liberal, ou para uma criança que passa em um carro na companhia dos pais.
Ele explicou que, de acordo com os sinais expressos pelos colegas que ficam de guarda, é possível saber se quem está a caminho é adepto da prática ou não. Caso não seja, é preciso ser discreto. Segundo esse motorista, até a polícia já sabia quais eram os principais lugares para essa prática e, na medida do possível, até pegava leve na hora de abordar os praticantes. Preferiam dar bronca a levar em cana. Mas o número de queixas dos moradores de algumas regiões começou a crescer e, por causa dos mal-educados que não respeitam o próximo, os dogueiros do bem começaram a ter cuidado redobrado e até tiveram de mudar alguns dos points mais conhecidos de lugar.
Para mim ainda não estava muito claro a que tipo de diferença o motorista se referia, afinal, não eram todos exibicionistas? Mas quando ele me deu alguns exemplos de gafes típicas dos dogueiros não-éticos, eu comecei a entender. Aqueles que gemem berrando embaixo da janela das pessoas para chamar a atenção, ou mostram as partes íntimas para qualquer carro que passa, mesmo que dentro do veículo tenha uma velhinha de 80 anos com cara de quem acabou de chegar da missa, são apenas alguns exemplos de dogueiros que passam da conta.
Para esse motorista, um dos mais antigos adeptos do swing em São Paulo, a polícia tem perdido a paciência com os dogueiros por causa desse tipo de gente. Antes, as coisas eram mais tranqüilas, mas depois que alguns praticantes começaram a se exceder, assustando menininhas que voltavam da escola e deixando-as em pânico ao ver um homem se masturbando e andando atrás delas, a polícia começou a fechar o tempo com alguns dogueiros. Por causa disso, ele me explicou, o cuidado agora tinha de ser redobrado.
Que saco! A vida inteira eu quis praticar dogging e não tive coragem! Resolvi criar coragem logo agora que a fiscalização estava mais ostensiva? Que coisa!
Fiquei um pouco mais apreensiva, mas ele me tranqüilizou ao dizer que seus amigos já sabiam que ele estava levando alguém especial e por isso já rolava um esquema de proteção à minha chegada.
Achei tudo muito divertido, parecia uma coisa de filme de espionagem. Quando chegamos perto da rua, ele piscou a luz do carro três vezes, que era a deixa para que os praticantes voyeurs soubessem que chegava um praticante exibicionista.
Ele entrou em umas ruelas e fiquei abismada com o que vi; vários homens e rapazes, espalhados ao longo da rua, seguravam seus pênis que saíam das escotilhas de suas calças abertas. Normalmente seus pênis ainda estavam moles quando a gente se aproximava, mas era só ver uma mulher dentro do carro que os movimentos de vaivém começavam a ser mais frenéticos, e alguns deles até se balançavam acompanhando o movimento das mãos, como se de fato estivessem copulando com alguém de pé a sua frente.
A princípio, achei a cena meio estranha, mas quando o motorista disse: "Eles estão aqui para homenagear você!", meu ego falou mais alto e eu comecei a me excitar com aquela rua lotada de homens que se masturbavam só porque eu estava passando dentro do carro. O Léo ficou muito orgulhoso por um lado, mas por outro tratou rapidamente de demarcar seu território. Abaixou o meu vestido e começou a mamar no meu peito ali na frente daqueles homens, como quem diz: "Podem olhar, mas ela é minha!".
Quando o cara viu que as coisas dentro do carro estavam esquentando, disse para os homens na rua que ia parar em uma determinada esquina. Ele foi indo devagar para dar tempo de eles nos acompanharem e, então, parou na esquina combinada.
Em pouco tempo havia uns dez caras se acotovelando para pegar o melhor ângulo da janela do carro a fim de assistir ao malho que eu e o Léo dávamos. Alguns, totalmente educados, perguntavam se podiam colocar a mão para dentro da janela do carro a fim de me tocar um pouquinho. Se o cara me agradava, eu deixava, caso contrário eu proibia, e eles obedeciam direitinho.
Depois de algum tempo, eu deitada no colo do Léo com as pernas abertas e o vestido levantado, sua mão acariciando suavemente minha bocetinha, falei para os rapazes.
- Vou escolher dois para entrarem aqui no carro e brincar comigo.
Eles se alvoroçaram. Começaram a tentar vender seus predicados a fim de me convencer de que eram os melhores.
A idéia era só brincar mesmo, afinal, eu nunca tinha feito isso, e estava lá, na verdade, mais para matar minha curiosidade do que para qualquer outra coisa; porém quando o rapaz que sentou ao meu lado mostrou para mim aquele pau enorme, lustroso, aparentemente delicioso, eu não tive a menor dúvida: caí de boca e, em poucos segundos, pedi para ele:
- Me fode!
Ele não acreditou! Não é todo dia que eles conseguem participar das atividades do casal e, menos ainda, com atuação completa. O cara não pensou duas vezes. Baixou parte da calça e montou em cima de mim. Eu no colo do Léo, e o cara encaixado bem no meio das minhas pernas. Olhando pela janela, eu via aquele monte de homens com o pau na mão, se masturbando feito loucos.
Alguns já começavam a jorrar esperma e gemer, revirando os olhos cheios de tesão, outros tentavam tocar a parte do meu corpo que fosse possível, e então esfregavam a mesma mão no membro, como se desejassem que fosse meu próprio corpo que estivesse ali roçando na pele deles. Alguns mal terminavam de gozar e já recomeçavam a se masturbar. Uma loucura!
Eu gozei e literalmente dispensei o rapaz na seqüência. Fiz ele gozar logo e pedi que saísse do carro. Sei que não foi muito educado, mas eu não estava muito preparada para a situação e me encontrava completamente por fora da etiqueta para esse caso. Acho até que estava meio sem jeito e, afinal, quantos são os homens que após a transa não ignoram a parceira por completo?
O motorista gostou de minha rapidez em dispensar o rapaz. Ele explicou que a minha transa tinha atraído a atenção dos homens e aumentado a quantidade deles em volta do carro, o que poderia, a qualquer momento, resultar em uma queixa de arruaça e no aparecimento da polícia por lá. Então eu, mais ou menos, me recompus e subi no colo do Léo.
Ele estava louco com a cena que acabara de assistir, então, começou a me penetrar loucamente. O cara na direção estava tão excitado que fiquei com medo de que ele acabasse batendo o carro ou algo assim. Eu, que concretizava uma fantasia de muito tempo, fiquei louca por cavalgá-lo ali no carro depois de ter feito tanta safadeza com os meninos na ma.
O Léo gozou bem gostoso dentro de mim, beijou a minha mão e voltou a sentar-se ao meu lado. O motorista, então, entrou em outra rua repleta de dogueiros, deu sinal para uma picape que estava parada e estacionou. O cara da picape ligou o carro, veio nos seguindo vagarosamente e parou próximo ao nosso táxi. Um rapaz desceu do veículo e se aproximou da nossa janela. Após percorrer meu corpo suado com os olhos, detendo-se mais do que obviamente nos meus seios que estavam desnudos, ele se ofereceu para fazer um swing com a gente. Entreolhamo-nos e, graças à cumplicidade só adquirida pelos anos de convivência, ambos imediatamente soubemos que a resposta era sim.
O cara voltou ao carro e trouxe uma moça com ele. Os dois entraram. Ele, pela porta ao meu lado e ela, pela porta ao lado do Léo. O cara da direção virou de frente para nós e de costas para a rua, ajeitando-se no banco da frente do carro, sentado com as costas apoiadas no painel, mais ou menos como quem se ajeita em uma cadeira de cinema segundos antes de começar um filme. O cara veio todo afoito para cima de mim e já começou a lamber, pegar e gemer. O Léo, por sua vez, também não perdeu tempo e, com as mãos, começou a percorrer as coxas da menina. Ele é sempre muito delicado com as garotas. Raramente sai agarrando ou tocando de forma invasiva. É sempre muito doce na sua forma de tocar. Então foi com essa suavidade que sua mão foi deslizando entre as coxas dela até se ajeitar pelo meio das suas pernas. A expressão da moça era de prazer, mas seu corpo estava rígido, como se ela estivesse muito tensa e desconfortável com a situação.
O Léo tentou com jeitinho afastar as pernas dela para acariciar sua bocetinha, mas elas não cederam um milímetro sequer. Ficou ali quase fechada, impedindo a mão dele de continuar. Ele então se inclinou sobre os seios dela e com a boca tocou seu mamilo. Pôde sentir que ele estava endurecido, cheio de tesão, mas ainda assim a rigidez permanecia. Então o Léo recuou um pouco o corpo para trás e olhou nos olhos dela. Ela abaixou o olhar, timidamente.
Eu, que estou sempre ligada a tudo, percebi algo de errado, impedi as mãos do rapaz, que prosseguiam explorando meu corpo, e olhei para o rosto da garota. Quando ela deteve seus olhos nos meus, senti faíscas saírem de dentro deles.
- Tá tudo bem? - eu perguntei. Ao que ela respondeu:
- Eu não quero!
Fez um bico enorme e olhou feio para o Léo, que imediatamente se desvencilhou do corpo dela. Ela o empurrou com os braços, fez uma cara muito brava e repetiu:
- Não quero!
Afastou-se mais um pouco do Léo e tentou se ajeitar no pouco que sobrava do banco de trás do carro. O namorado dela, então, respondeu:
- Que saco! De novo? Então vai pro carro pra eu terminar aqui.
Ao que eu respondi:
- Como assim? Não tem nada pra terminar aqui! A garota não quer, não vai rolar.
Acho que as coisas não estavam muito claras para o cidadão. Ele seguiu insistindo que era para ela esperá-lo no carro até ele me comer.
"Como assim?", eu pensei.
Primeiro, o combinado era um swing. Não era justo com o Léo eu passar a noite me divertindo e ele com uma participação limitada. Por isso mesmo topei o swing. Segundo, estava óbvio que o problema da garota não era só porque ela não queria transar com o Léo. Acho que na verdade ela não queria nada daquilo. Ou, se pudesse ser muito honesta, talvez ela gostasse de transar com o Léo, mas não suportasse a idéia de assistir o namorado dela transando com outra pessoa. Enfim, não sei que "tilt" deu na garota, mas ela ficou emburrada e começou a fazer mil caras e bocas para o cara. Ele deu um ultimato para ela sair do carro e eu disse a ele que a brincadeira havia acabado.
Então, ele começou a tentar convencer a garota a transar com o Léo de qualquer jeito. Diante das negativas dela, ele começou a apelar:
- Então chupa! Bate punheta! Vai pegar no pau dele!
Ela ficou tão constrangida que até tentou. Esgueirou-se um pouco e apertou de leve a mão dela contra o membro do Léo, mas seu olhar estava nas nuvens ou no teto do carro. Sabe-se lá o que ela pensava, mas certamente não era na vontade que ela estava de prosseguir com aquilo.
O Léo afastou a mão dela de seu pênis e fechou o zíper da calça. Olhou para mim com o mesmo olhar cúmplice com o qual, alguns minutos antes, havia concordado em fazer esse swing, mas dessa vez era um olhar que dizia para desfazer aquela brincadeira que não deu certo.
Pedi para o cara sair de cima de mim, e ele pedia:
- Só mais um pouquinho, ela já vai dar pra ele. Ela só tá com vergonha! Né, fulana? Cê não tá só com vergonha? Mostra pra ele!
Para mim não existe nada mais broxante na face da Terra do que tocar uma mulher que não deseja ser tocada e um homem que não respeita sua parceira. Falei rispidamente para que ele saísse de mim imediatamente. Ele saiu gritando com a menina:
- Viu o que você fez? De novo? Não sabia que eu queria comer a mulher? Por que não deu pro marido dela?
Aquelas palavras me embrulharam o estômago. Mesmo que o Léo não fizesse a menor questão de transar com a menina, e se ela depois disso tudo consentisse em fazer a vontade do namorado só para ele ter a chance dele, eu jamais toparia. Um homem que trata uma mulher dessa maneira não é digno de tocar o meu corpo.
Eu fiquei passada e o Léo percebeu. Colocou-me no colo dele, me deu um beijo na cabeça e me aconchegou.
O cara se ajeitou no banco da frente, e como se fosse um animador de festas, falou empolgado:
- Isso acontece, minha gente! Acontece, mas não vamos nos abater com isso, a noite ainda é uma criança.
E era mesmo!
Já estávamos rodando havia algum tempo. Já não fazíamos mais nada a não ser assistir à movimentação que rolava nas ruas de dogging.
Vimos alguns carros estacionados com os respectivos voyeurs se masturbando nas janelas. Vimos algumas aglomerações ao lado do carro que pressupunham ser dogueiros em plena atividade sexual explícita e vimos também alguns homens que simplesmente mostravam os pênis para cada carro que passava (essa parte, confesso que achei grotesca. Me lembrava as histórias de adolescente, quando éramos alertadas a tomar cuidado com homens de capas parados nas ruas, pois poderia ser um tarado que mostra o pinto. Aprendi quando ainda era uma garotinha).
Estava começando a desanuviar minha mente do desagradável episódio anterior. O motorista era bem divertido e contava umas histórias engraçadas sobre episódios ocorridos com dogueiros naquela região.
Contou que havia uma garota que era a queridinha dos taxistas. Ela não tinha as duas pernas e tinha muita dificuldade de achar um namorado. Até que descobriu o dogging. Segundo ele, a garota ia lá umas duas vezes por semana e ficava transando feito louca a noite toda. Ele disse que ela adorava sexo e era muito, muito quente. Que ela dava feito uma vadia, sem o menor grilo com o defeito físico e, ainda por cima, no final da noitada, ainda conseguia carona para casa.
Achei muito legal a história dela. Não importava sua condição, ela respeitava as próprias necessidades e não ficava alimentando autocomiseração por causa de sua deficiência nem se entregando à culpa por conta da forma como decidiu resolver sua carência sexual.
Bacana! Deve ser uma garota muito interessante. Paramos um pouco e conversamos com outros motoristas. Todos falavam da garota com certo carinho e, quando se referiam aos seus atributos sexuais, ficava claro que a garota era mesmo quente! Todos se referiam a ela como uma DELICIA.
Que exemplo, não é? Mas esse é o tipo de história que você nunca irá ler nos livros de auto-ajuda para portadores de necessidades especiais. O que é uma hipocrisia. Acho que essa garota é um exemplo para muita gente que passa os dias se alimentando das próprias dores, mas deixemos a filosofia barata à parte.
O papo animado já havia dissipado o estresse da noite e eu já estava prontinha para outra.
Já estávamos nessa brincadeira de dogging havia algumas horinhas, mas como tínhamos feito várias pausas, ainda dava para brincar um pouco mais.
Resolvemos dar uma última volta em uma rua bem bonita e calma onde havia alguns caras aguardando por casais. Em uma das esquinas, nós paramos e começamos a nos acariciar. O motorista, dessa vez também aproveitou para brincar conosco. Era um tal de mão aqui, mão ali, uma delícia. Um homem negro, lindo de morrer, se aproximou da janela e pôs o membro para fora.
Uau! O que era aquilo? Fiquei encantada. Ele continuou do lado de fora do carro, mas puxou minha cabeça para perto dele de modo que em segundos eu estava abocanhando aquele pênis enorme. Chupei, lambi, mordisquei e parece que quanto mais eu me deliciava em fazer sexo oral naquele homem, mais o pau dele crescia. Estava duro feito uma rocha. Era uma tentação.
Enquanto eu lambia o membro desse homem através da janela aberta, minha posição meio de quatro facilitava que o Léo e o motorista me bolinassem, lambessem e chupassem por trás. Um deles enfiou a língua na minha boceta e isso me levou ao delírio.
Sentir um pau duro na boca e uma língua assanhada no meio das minhas pernas, passando pela grutinha e me fazendo escorrer mais e mais melzinho pelo meio das minhas pernas me deixou em uma fissura louca para ser penetrada por trás. Então eu não tive a menor dúvida. Contorci-me toda dentro do carro e fiz algo que ninguém ali poderia imaginar: coloquei literalmente a bunda na janela. Dei uma camisinha para o moço e esperei.
Fiquei assim meio abaixada com o bumbum e a bocetinha empinados para trás, para fora da janela, que eu usei quase como assento. O Léo não acreditou. Olhou para mim e falou:
- Você é safada demais!
Ele acabou ficando todo torto dentro do carro para dar um jeito de encaixar o pau dele dentro da minha boca, enquanto o rapaz metia o pau pelo meio das minhas pernas até estocar bem fundo dentro de mim.
O motorista não acreditava no que estava assistindo. Ele se acabava de tanto se masturbar. E eu estava simplesmente alucinada de tesão. Gemendo feito uma cadela no cio (mas não muito alto para não virar dogueira mal-educada). O homem negro, que estava me pegando por trás, era um verdadeiro deus: alto, forte, corpo bem-feito. E mãos que me pegavam com uma força que parecia rasgar a minha pele. Mas não era uma coisa violenta. Era apenas muito firme. Ele sabia exatamente o que queria, e ele queria gozar!
Esse vaivém não durou muito tempo. Assim que eu gozei, senti que ao retrair os músculos internos da minha vagina fazia-o gozar em seguida. Ele se desvencilhou rápido de mim e eu rapidamente me ajeitei novamente dentro do carro para colher o beijo do Léo na minha boca (adoro beijá-lo na boca quando estou gozando com outro). Só que o beijo não durou muito. O Léo estava cheio de tesão, mas o tempo não tinha sido suficiente para ele gozar na minha boca, então ele me pegou de jeito, virou minha bundinha na direção dele e rapidamente estocou minha boceta com o pau repleto de tesão. Foi uma transa rápida, forte e muito vigorosa. O Léo me pegou com tanta vontade que eu quase gozei pela segunda vez. Pena que eu já estava ficando exausta. Ele sentiu o ardor subindo pelo seu pau, o tesão crescendo e o desejo explodindo, então, em uma estocada muito mais forte dentro de mim, eu pude ouvir seus gemidos alucinados de gozo e luxúria.
O motorista não descolou os olhos de nós nem um instante sequer. Suas mãos estavam trêmulas e ele, ofegante. Ele estava literalmente deslumbrado com o fato de que o show dessa noite inteira tinha sido quase exclusivo para ele. O único que testemunhou tudo do começo ao fim.
Mas quem disse que terminou?
Fiquei ali alguns minutos agarrada ao Léo, tentando me recobrar de tanta ginástica sexual.
Praticar dogging realmente estava sendo uma delícia, e transar no carro é realmente muito excitante, mas as posições são excêntricas por causa do espaço físico limitado e nos levam realmente a um nível de esforço físico mais alto do que a média.
Diria que no quesito conforto é zero, mas no quesito tesão é dez!
O motorista do táxi já estava certamente convicto de que a noite estava encerrada. Mais um pouquinho naquela punheta, e ele iria se esvair de esperma, mas foi aí que o Léo falou pra ele:
- Será que você poderia me deixar dirigir seu táxi um pouquinho? Sempre tive loucura para dirigir um táxi.
Lógico que o motorista concordou prontamente. Ao que o Léo emendou:
- Então você poderia passar para o banco de trás, por favor? Ficou mais do que claro quais eram as intenções do Léo.
O cara passou para o banco de trás e já começou a acariciar minhas coxas. Ele era um homem grandão, com pernas enormes e dedos longos. Dedos que rapidamente ele tratou de introduzir na minha bocetinha. Não muito tempo depois ele já estava me bolinando com as duas mãos. Dois dedos de uma mão na bocetinha e um dedo guloso da outra mão rasgando as preguinhas do meu cuzinho. Estava uma delícia e eu rebolei feito louca nas mãos dele.
Ele foi alucinando e, em um êxtase de tesão, foi abaixando meu vestido até a cintura. Eu já estava seminua no carro quando ele foi mais ousado ainda e arrancou meu vestido, me deixando só de calcinha.
Era um misto de medo e excitação, afinal, alguém poderia me ver despida daquele jeito no carro. E se passasse um carro da polícia?
E se passasse algum conhecido? Mas ele não queria nem saber. Sugava meus seios vorazmente enquanto me masturbava com aqueles dedos longos, deliciosamente hábeis na arte de fazer uma mulher gemer sem sentir dor.
Fui abrindo mais e mais as pernas e comecei a cavalgar nos dedos dele. Ele gemia tanto e chupava meus peitos com tanta força que, mais tarde, fui descobrir que ele até tinha deixado algumas marquinhas de chupão próximo ao bico do meu peito.
O Léo estava adorando aquela safadeza toda. No fundo, todo homem gosta mesmo é de uma mulher bem safada, capaz de atender a todos os seus desejos. O que poucas pessoas notam é que só as mulheres que satisfazem plenamente os seus próprios desejos são capazes de atender completamente aos desejos de um homem.
Eu adorava o fato de ele estar me assistindo, me desejando e de estar tão orgulhoso de mim. Daí para a frente, não obstante o fato de que realmente eu estava entorpecida de prazer, tudo que eu passei a fazer com o taxista era de fato para seduzir meu marido.
Foi assim que eu me abaixei no meio das pernas daquele homem e comecei a chupá-lo com vontade. Enquanto isso, minha bundinha ficava arrebitada e totalmente ao alcance da visão de quem passasse ao lado do carro. A preocupação inicial que eu tive, de que alguma criança pudesse passar pela rua e ver a cena, desapareceu quando me dei conta de que eram quase quatro horas da manhã e nós estávamos em um lugar absolutamente ermo. No meio do nada. Por ali apenas outros dogueiros, seguranças de casa e outros motoristas de táxi.
Brinquei com o moço que os amigos dele teriam inveja se soubessem o que ele estava fazendo enquanto ele trabalhava. Para que eu fui dar a idéia? Isso soou para ele como uma sugestão. Então, ele pediu:
- Léo, você se importa de passar por alguns pontos de táxi onde amigos meus trabalham?
Claro que o Léo não se importava, afinal, era a mulher dele que estava sendo exibida como uma deusa do sexo. Outros podiam desfrutar um pouquinho, mas sempre em uma atitude de comum acordo. Nunca pelas costas dele. Nunca escondido dele. Ele sabia que aquela exibição não era nada, todos podiam babar pelo corpo, mas só ele podia desvendar o coração. Então, ele deu um sorriso maroto pelo espelho retrovisor do carro e seguiu para onde estavam os motoristas amigos do nosso taxista.
Chegou a ser esquisito, porque o cara estava lá com o pau dentro de mim, chupando meus peitos e, de repente, quando o Léo diminuía a velocidade do carro próximo a algum ponto de táxi indicado por ele, ele começava a chamar os colegas pelo nome:
- O fulano! O cicrano! Olha só que gostosa! Quero ver você pegar uma assim!
Achei aquilo meio nonsense, quase infantil, mas afinal o cara tinha sido tão gentil a noite toda, tinha sido tão prestativo, parceiro, que não dava para reclamar. Além do mais, eu ainda estava em cima daquele pau duro, e eu preciso confessar que estava gostoso. Reclamar para quê?
Os amigos faziam cara de espanto, um ameaçou perguntar:
- Como você consegu(...)?
Mas antes mesmo que pudessem terminar de proferir suas palavras, ele falava para o Léo:
- Arranca, arranca!
Como se o fato de os rapazes terem acesso a mim fizesse a brincadeira perder o encanto. Como se a distância criasse um mistério: quem era ela? Uma puta? Uma namorada? Uma dogueira? E aquele cara no volante?
Foi parando em um semáforo que o cara não agüentou mais. Estava a noite toda se segurando e, honestamente, não entendo como ele conseguiu se segurar por tanto tempo. Mas foi aí que não deu mais.
Ele começou a se movimentar rapidamente e a controlar meus movimentos segurando meu quadril e mexendo meu corpo em cima dele. Para cima e para baixo, para cima e para baixo, para cima e para baixo, em um ritmo louco e frenético.
Um carro parou ao lado do nosso e um bando de meninos bem novinhos ficou olhando de boca aberta aquela mulher montada em um macho, ondulando os quadris de forma voluptuosa. Seios à mostra, costas nuas, barriga desnuda, apenas um fiozinho de calcinha minúscula puxado para o ladinho vestia aquela mulher que cavalgava aquele homem grandão.
Era óbvio, pela textura da pele dela, pelo cabelo bem tratado, pelo rosto bem maquiado e a cara de bem-nascida, que aquela mulher não era daquele homem. E nem parecia ser daquele tipo. Uma mulher com cara de qualquer uma. Sem a menor aparência de puta.
Uma aparência serena e discreta, mas absolutamente selvagem em cima daquele homem cujos cabelos em desalinho, expressão cansada e pele castigada denunciavam que não eram marido e mulher.
Será que imaginavam que era o marido que estava ali a dirigir o carro com a braguilha aberta, alisando o próprio pênis enquanto assistia a sua mulher "arrancar o couro" de outro homem? Nunca saberão.
Eu esperei que os jovens rissem, gritassem, xingassem, fizessem algum tipo de comentário grosseiro. Mas em vez disso ficaram em silêncio, assistindo a cada cavalgar, cada penetrar, cada gemer, até, no fim, o gozar.
Eu achei que o moço ia explodir dentro de mim e, na verdade, não seria exagero dizer que o modo como ele gozou dentro de mim foi realmente uma explosão. Cheguei a ficar preocupada se tanta volúpia não teria levado a camisinha a estourar, mas não. A explosão foi só de desejo mesmo. O cara já freqüentava meu Orkut e era fã das minhas fotos havia muito tempo. Já batia muita punheta para mim e me desejava. Todo mundo sabe a explosão de tesão que rola quando a gente transa com alguém que já deseja há muito tempo, não é mesmo? Só não é nem de longe maior que a explosão de tesão que há entre duas pessoas que se amam, se compreendem e se aceitam do jeito que são.
Era hora de trocarmos os motoristas de lugar e dar o assento ao meu lado ao único que merece caminhar ao meu lado.
Sabe? Essas experiências são deliciosas: aquecem a relação, reacendem o desejo e potencializam o tesão, mas quanto mais a gente faz as coisas que nosso corpo deseja, mais a gente se sente satisfeito com a nossa química. Não há nada que ameace ou ofusque a delícia de sermos um do outro.
Pedimos para o motorista nos deixar a duas quadras de casa e seguimos a pé. O nosso carro teve de dormir no estacionamento e não queríamos que o moço soubesse onde morávamos.
Ao nos despedirmos, ele se derreteu em elogios e agradecimentos pela deliciosa noite, mas antes de nos deixar disse algo que não pude impedir que me causasse uma pontinha de melancolia:
- Ai, agora preciso achar um boteco para me lavar antes de ir pra casa. Se a patroa sente cheiro de mulher em mim! Ela é um cão, fareja tudo!
Fiquei ali pensando se a mulher dele tem alguma noção do que ele faz por aí todas as noites. Quantos doggings esse homem já fez com estranhas? Quantas fantasias já realizou com pessoas das quais mal sabe o nome? O que essa esposa sabe a respeito desse marido? E como é um casamento em que não se pode compartilhar suas próprias fantasias com a esposa?
Fiquei grilada e dei graças por ele ter feito esse comentário só no fim da noite, senão acho que o rumo da noite seria outro. Aquele era um não-casamento.
Não acho que as pessoas precisem ser swingers para ser felizes, nem que elas devam casar virgens ou não, ser hétero ou homo. Creio que muitas das dores decorrentes das relações humanas vêm do fato de que as pessoas julgam aquilo que descobriram bom para elas e, também, o melhor para todos os outros.
Isso não existe! Cada um deve descobrir qual é a sua praia e defendê-la. Sou a favor de que as pessoas amem muito e concordo incondicionalmente com a letra da música do Milton Nascimento que defende que qualquer maneira de amor vale a pena. Cada qual deve achar seu jeito de viver. Mas, para mim, cuidar, proteger e ser leal são condições essenciais para qualquer forma de amar que se adote. Infidelidade, mentiras e traição não combinam com amor.
Quantos casamentos existem por aí em que os parceiros não têm a menor noção do "lado B" do seu companheiro? Os desejos secretos, os sonhos ocultos, os monstros debaixo da cama?
Pensei nisso e agradeci por ter um parceiro que confia a mim seus maiores segredos e também por poder confiar a ele meu lado puta e meu lado santa, sabendo que ele me aceitará com todas as contradições.
Seguimos pelas ruas de mãos dadas. Plena madrugada, o Sol quase nascendo. Nós, tão de meia-idade, e naquele momento quase adolescentes.
Era hora de ir para casa fazer amor. Nunca durmo antes de fazer amor.
Abraçados na nossa cama gostosa, cantarolei Tribalistas para ele:
- Ninguém, mais deita no meu leito e se demora... ninguém...
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.
Belle
Swing: a vida real de uma praticante da troca de casais / Belle. - São Paulo : Matrix, 2007.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
| < Anterior | Próximo > |
|---|